terça-feira, 10 de março de 2009

No corredor

Às vezes, a bobice dele desaparece quando se encontram naquele corredor que é território dela. Fica sério como se não fosse a mesma pessoa que vai em sua casa aos domingos rir das histórias que aconteceram no decorrer da semana. Ao menos ele a cumprimenta como se deve, e como ela veio cobrando há tempos.
É engraçado perceber a falta de jeito de ambas as partes. Ora ele, ora ela, mas em alguma hora, alguém sempre se constrange e se altera, deixando de ser precisamente a pessoa de quem se faz idéia. Vai ver que nem uma idéia deve ser feita, mas é lógico que os dois fazem mais de mil.
O cumprimento-abraço só acontece no corredor, ou ao menos próximo a ele. Será que o corredor exerce alguma influência sobre o par? - Que surreal seria. Não sendo passível de comprovação alguma, é simplesmente fato que os dois se dão um pouco mais de tempo para conversar ali.
Parece que andam se mostrando mais dispostos. O que antes parecia mínima aversão causada por receio infundado, agora é entendido como singela dificuldade de aproximação. Vale dizer que é da parte dele, afinal, ela só responde às indagações, como se não estivesse se importando com nada mais além de chegar ao fim do corredor. Não sendo fingimento, trata-se da natureza de não manifestar desejos latentes surgidos quando da conquista por meio da piada sem graça e desenvolvidos pelo calor dos toques incisivos em tempo pretérito.
Ela está quase sempre entrando, enquanto ele está quase sempre saindo, mas tem um ponto no corredor que é dividido entre os dois. Melhor, é dividido pelos dois.
Uma piada pra quem espreita disfarçadamente o diálogo que ele tenta promover, ao tempo em que ela se faz mais monossilábica que o normal. - Quanta pressa em largá-lo!
Mocinhas que passam por ali maliciam a conversa morna. Impossível lhes tirar a razão, vez que já fora muito quente, quase a enlouquecendo à época.
Logo, a dona do território segue o caminho do corredor até o limite, e ai, quando pára e olha para trás, é que se pergunta, um tanto feliz e um bocado confusa,"o que é que ele quis dizer com 'domingo eu estarei lá de novo'?".




[ :D]

8 comentários:

ygor p. disse...

é o corredor se fazendo território dele.

paulo disse...

... confesso, tenho certa dificuldade em escrever nesse mundo de cá. me deixas mudo com tuas letras. me deixas sempre a pensar/resgatar. e gosto disso. me trás o treino da não palavra... aquele que se expressa nas vias do corpo percorrendo o instante.

[obrigado]


beijos meus


paulo

Anônimo disse...

Mariana, protesto porquê? Eu não preciso me expor pros outros, porque você sabe muito bem quem sou eu, e já até pôs meu nome num dos seus contos. Eu já sei da sua elegância e pompa ao escrever. Contudo, o que você disse não tem o menor sentindo pra min, porque você sabe que eu sei muito bem quem são esses sujeitos dos contos, e sabe que as palavras enérgicas foram pra você...mas se insiste no contrário, problema seu, eu não me importo mesmo com seu bem ou mal estar...aquilo foi só um toque ;)...porque pra min isso tudo aqui é uma grande bobagem.
Você que interpreta as ações dos outros conforme sua insana conveniência em forma de contos...mas não vou mais julgá-la se isso se faz sua inspiração... [até porque contos e poesias são do meu gosto e estima, gosto muito de Pessoa também, embora meu preferido é Rimbaud]
realidade ou verdade, você escreve ou que você quer...
Pois então, fique à vontade com sua arte, mas ficar em réplicas e tréplicas com você não é meu interesse.
Bom, agora você já sabe que eu sei do seu cantinho de contos, mas não perderei mais meu tempo aqui, tenho minha vida profissional,familiar...enfim minha vida pessoal pra cuidar, ok?!! Não farei parte da sua platéia assídua.

Madalena disse...

Admitir que sabe de mim não é exatamente o tipo de coisa que me comove, eu nunca ignorei ou subestimei a sua inteligência, bem como seu coração nunca me pareceu ser pobre e/ou impuro.
Através desse mesmo entendimento é que não preciso explicar ou demonstrar absolutamente nada para você. Nem você deseja isso.
Despenda, então, de qualquer sensibilidade para entender que palavras são só e somente palavras, e não almejo, de forma alguma, torná-las reais se assim já não forem. - Ensinaram-me muito eficazmente que palavras não equivalem a atos, e você há de concordar. ;)
Não é Rimbaud quem diz "a poesia não voltará a ritmar a ação"?

Recomendo que não faça mesmo aquilo que não quer. Se não gosta do meu estilo, das minhas palavras e dos meus embustes, não tem razão alguma de me acompanhar.
A propósito, não tenho plateia, tenho com quem dividir a beleza de coisas que não se pode ver, e para dividir algo comigo é preciso mais do que apenas querer.
Tenho certeza que sabe fazer o que deseja com eficiência, mas ignoro, por completo - acredite!-, qualquer dos resultados. Por isso mesmo que jamais me preocuparei. Entretanto, desejo-lhe, sinceramente, e por fim, sorte.

p.s. Repetida falta nominal.

Jaya disse...

No corredor, os sentimentos transitam. As diferenças já nem são. A pressa, é vontade de girar os ponteiros para o lado inverso. Ela entra, ele sai: importa é o encontro do meio. Dividem-se, pra depois somar.

Hoje, é domingo.

Beijos daqui, dona moça.

Rodrigo Vaz disse...

oi Madalena, como vai você ?
obrigado pelo comentário no meu blog. perdão a demora e o seu blog é bem legal. conte-me um conto qualquer dia :)

Jaya disse...

Eu, quis te ler, hoje.

Coração de pedra disse...

Sinceramente? Eu também.

s2
=*

PS: Estou aqui.